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Raimundo Nonato

Raimundo Nonato Furtado é diretor de Ensino do Centro Federal de Educação Profissional e Tecnológica (Cefet) da Paraíba. Responsável pela elaboração da resolução que garantiu a matrícula regular das paraibanas, beneficiadas pelo Mulheres Mil, na instituição, ele aponta mecanismos legais que viabilizam a os Cefets democratizar o acesso para essas mulheres.

Portal Mulheres Mil - Quais as possibilidades legais que ampararam a resolução que garantiu a matrícula regular para as alunas do Mulheres Mil? Isso pode ser feito em todos os Cefets?

Raimundo Nonato - As possibilidades legais estão postas. O Governo Federal vem sistematicamente dando vazão à construção de mecanismos legais que flexionaram a ação dos Cefets.

A uniformização do desenho legal (vide exemplo: Decreto 5.154) e as alterações inclusivas na LDB (Lei 9.394), nos permitem, hoje, operar sob a custódia da profissionalização desde a alfabetização até a pós-graduação. Por isso, podemos afirmar, categoricamente, que qualquer Cefet pode fazer o que nós fizemos.

A questão que precisa vir para cima da mesa é a seguinte: os gestores da primeira esfera das instituições precisam ser formados para entenderem o efetivo valor filosófico dessas políticas. Acredito que essa é a única forma de valorizar a ação e não a ação valorizar o indivíduo, dando-lhe uma luz apenas reflexa.

Portal Mulheres Mil - O que sensibilizou a Diretoria de Ensino di Cefet-PBa contribuir com a institucionalização do Mulheres Mil?

Raimundo Nonato - Foi a mesma razão pela qual temos abraçado os programas de Estado e projetos de Governo que estão sendo construídos na Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, para o benefício social das camadas sem oportunidades no nosso país.

Sempre defendemos que a educação tem que ser de qualidade, da mesma forma como defendemos e adotamos a mesma filosofia do software livre, que "conhecimento não é para ser vendido, é para ser distribuído e para o bem estar da humanidade".

Como a Diretoria de Ensino do Cefet-PB não tem o peso mundial que os grupos de softwares livres, nos contentamos em fazer, na Paraíba, por pequenos grupos sociais. Primeiro organizamos o Proeja, o aproveitamento da OBMEP (Olimpíadas de Matemáticas) as cotas Públicas/Privada, o aproveitamento do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) e, agora, o Mulheres Mil.

Portal Mulheres Mil - Qual a importância de iniciativas como essas para a democratização do acesso?

Raimundo Nonato - Veja: se nós pensamos em um país sério, temos que fazer ensino com seriedade, temos que profissionalizar nosso povo com a mesma seriedade. Não podemos olhar para o futuro do país como se fosse apenas o meu futuro, mas o futuro de todos nós. Às vezes, quando faço referência a essa questão costumo dizer que se a riqueza continuar a se concentrar nas mãos de uns poucos no mundo, um dia ela será engolida pela miséria de todos. Não é isso que nós queremos.

É preciso que aqueles que pagam as contas da sociedade tenham direitos, não só na lei, mas na prática. Precisamos trazer nosso país para o conhecimento; isso não se faz jogando dominó, nem bebendo cachacinha ou cerveja todos os dias. Pensar dessa forma implica em ter que fazer as coisas acontecerem. Essa é a nossa maior função.

Portal Mulheres Mil - Na prática, que benefícios isso traz para as mulheres?

Raimundo Nonato - Essas mulheres passam a ter um novo tipo de sentimento, que na sociologia nós chamamos de sentimento de pertencimento. Até agora elas foram esposas, mães e trabalhadoras. Agora elas passam a ter outro tipo de percepção: elas pertencem a um mundo que elas nunca imaginaram que sequer poderiam fazer parte um dia.

Acho que isso lhes parece um presente de Deus. Lembra um pouco a Alegoria da Caverna, do Platão; essas mulheres começam a sair das sombras e podem chegar ao brilho do sol. Daqui para frente elas estarão sempre sensíveis a outras formas de vida, estarão aptas a se recomporem na vida quantas vezes for necessário.

Acesse decreto.

Stela Rosa – Jornalista do Mulheres Mil

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