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Sérgio Frana

Sérgio França é membro do Comitê Executivo Brasileiro do Mulheres Mil e diretor-executivo da Rede Norte e Nordeste de Educação Tecnológica (Redenet). Na entrevista para o Portal, ele relata o objetivo da visita de docentes canadenses aos projetos da área de turismo e hospitalidade e explica a importância da cooperação com o Canadá para a implementação do Mulheres Mil.

Portal Mulheres Mil - Qual a finalidade da visita técnica de especialistas dos colleges aos projetos do Mulheres Mil?

Sérgio França - O objetivo da missão é apresentar, para as equipes dos projetos dos Estados do Amazonas, Bahia e Ceará, experiências concretas de metodologias de estruturação de serviços de acesso e permanência, articulada com a área de turismo e hospitalidade. Também serão debatidos aspectos sobre o aconselhamento, a integração entre setor produtivo e a oferta formativa, o acompanhamento pedagógico, as metodologias de avaliação, a estruturação da matriz curricular, os instrumentos de inserção no mundo do trabalho, dentre outros. Ao término da visita, será elaborado um plano de trabalho para as próximas ações de cooperação com a participação dos colleges.

Portal Mulheres Mil - Qual o público-alvo atendido pelos colleges e que semelhanças socioeconômicas há com as mulheres que são atendidas pelo programa?

Sérgio França - O público-alvo dos colleges é basicamente a população desfavorecida do Canadá, em especial os aborígenes, os emigrantes de baixa escolaridade, as mulheres violentadas e grupos de riscos. Essas populações têm pequenas rendas ou quase nenhuma, vivem nas periferias das cidades, têm baixa escolaridade e, normalmente, estão desvinculadas das famílias.

Realidade que é similar a das mulheres que estão sendo beneficiadas pelo Mulheres Mil. Elas vivem em comunidades nas regiões periféricas das cidades, têm uma renda familiar que não chega a um salário mínimo e grande parte não tem o ensino fundamental completo. À margem do mundo do trabalho, muitas delas assumem sozinhas o sustento dos filhos, e o número das que são vítimas de violência doméstica é significativo.

Portal Mulheres Mil - Qual o sistema de acesso usado pelos colleges canadenses e como pode ser feita a adaptação para os Cefets?

Sérgio França - O sistema dos colleges prevê desde o acesso à educação profissional, certificação dos saberes adquiridos no decorrer da vida, financiamento e apoio aos estudantes, quando necessário, e continuação dos estudos. Quanto à adaptação para o Brasil, está sendo elaborado. A partir do modelo de acesso canadense, a Gerência Nacional do Mulheres Mil elaborou uma proposta adaptada à realidade brasileira. Esse documento está sendo enviado para que as equipes multidisciplinares dos projetos nos Estados façam uma análise, modificações e sugestões.

Após a proposta ser aperfeiçoada, será levada para os diretores sistêmicos das instituições para que seja elaborado a proposta oficial de cada Centro Federal de Educação Profissional e Tecnológica (Cefet), a qual será encaminhada à Gerência Nacional. Após isso, a Gerência Nacional, em conjunto com a Coordenação Geral de Formação Inicial e Continuada da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec), sistematizará as contribuições e será elaborado o documento final da proposta brasileira do modelo de acesso e permanência.

Essa proposta será discutida em novembro na oficina de Modelo de Acesso Brasil – Canadá, com a participação dos especialistas canadenses, diretores dos Cefets e gerentes dos projetos.

Portal Mulheres Mil - Qual a importância da cooperação com Canadá na implementação do Mulheres Mil?

Sérgio França – É de grande significado. O Canadá tem uma longa história, através de seus colleges, de um intenso e amplo envolvimento com as populações e comunidades desfavorecidas ou à margem da cidadania plena. Eles conseguiram sistematizar e institucionalizar todas as ações, as metodologias e as experiências nessas relações de resgate e de inclusão dessas populações na vida cidadã.

A sensibilidade dos colleges em dialogar, ouvir, aconselhar, acompanhar e envolver-se com essas populações é a grande riqueza que esse intercâmbio está nos presenteando e nos levando a repensar o formato e a dimensão que os nossos Centros Federais de Educação Profissional e Tecnológica (Cefets) dão a esta temática.

Isso tem nos levado a uma ampla reflexão sobre as nossas relações e sua amplitude com os diversos seguimentos sociais: privado, estatal, paraestatal, comunitário, etc. A naturalidade e a perenidade com que são feitas as parcerias e cooperações são um grande ensinamento para as nossas instituições. Os colleges têm a participação efetiva desses seguimentos em suas rotinas e no seu dia-a-dia, e os resultados têm sido fantásticos para essas instituições e para as populações beneficiadas. E o Mulheres Mil está abrindo um conjunto de ações binacionais nas diversas temáticas setoriais de amplo domínio dos colleges canadenses e dos Cefets

Saiba mais sobre a cooperação Brasil - Canadá

Stela Rosa – Jornalista do Mulheres Mil

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