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Irmãs Fátima (esquerda) e Rosineide (direita) (Crédito: Daniel Chaves)
A marisqueira Rosineide Maria Gomes da Silva, de 41 anos, divide o seu tempo entre a criação dos dois filhos adolescentes, o trabalho na pesca de mariscos e as aulas do Muheres Mil, na Paraíba, que participa acompanhada de sua irmã, a também marisqueira Fátima Gomes da Silva, de 36 anos, casada e mãe de dois filhos pré-adolescentes.

Ambas nasceram na cidade ribeirinha de Ponta de Pedra, em Pernambuco, mas foram morar ainda criança com seus pais em Bayeux (PB), em busca de uma vida melhor para a família.

As duas irmãs têm trajetórias de vidas similares: tiveram de largar os estudos na adolescência para se dedicar à pesca. Rosineide parou de estudar aos 14 anos pelo mesmo motivo de Fátima, que parou aos 16 anos. “Larguei os estudos porque naquela época, no local onde morávamos, tinham poucas escolas públicas, e minha família não tinha condição de pagar um estudo particular”, conta Fátima.

Rosineide casou aos 27 anos, mas hoje é viúva e cria sozinha os filhos. Ela sonha em ter uma boa renda para sustentá-los, uma vida sossegada e reformar a sua casa. “Meu marido morreu e fiquei sozinha para dar uma vida boa aos meus filhos. Eu quero que eles não precisem trabalhar antes de concluírem os estudos”, desabafa.

A dificuldade maior que Rosineide tem para frequentar as aulas do Mulheres Mil é conciliar o trabalho com o horário das aulas. “Eu pesco desde criança e nessa atividade não há problema com horário, mas, de vez em quando, eu consigo um trabalho como doméstica para aumentar a minha renda. Aí sim, há problemas de horários e dias das aulas do Mulheres Mil”, comenta.

Uma solução que Rosineide vê para esse problema é a cooperativa que o Mulheres Mil pretende criar. “Eu estou ansiosa, esperando que a cooperativa de pescadoras e artesãs seja criada o mais rápido possível, pois vai ajudar todas as alunas a terem uma oportunidade melhor de trabalho e sustento, nos deixando despreocupadas, sem motivo para não dar continuidade aos estudos”, afirma Rosineide.

Já Fátima não tem o mesmo grau de dificuldade que o da irmã para continuar no projeto, pois conta com o apoio do  marido e filhos, porém também está com pressa na criação da cooperativa. “Não é sempre que a maré está boa, com isso a renda fica comprometida. Assim como a minha irmã, eu quero melhorar de vida e dar uma condição melhor aos meus filhos. Quero ter a minha casa, no meu nome, pra não depender de ninguém. Devagarzinho, a gente alcança nossos sonhos, tenho muita fé nisso”, pontua Fátima.

Daniel Chaves - Assessoria de Imprensa do Instituto Federal da Paraíba
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