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Ìvia Eline (Divulgação)
Ivia Eline é assistente social e integra da equipe multidisciplinar do Mulheres de Fortaleza.  Ela é responsável por implementar as atividades de acolhimento as alunas, realização diagnóstico socioeconômico e atividades de grupo. O trabalho que Ívia realiza é fundamental para o planejamento das ações educacionais do Mulheres Mil.

MM - Que trabalho você desenvolve com as alunas do Mulheres Mil?

Íva Eline -
Com as alunas da primeira turma, desenvolvi as seguintes ações: acolhimento na instituição, realização do diagnóstico socioeconômico das beneficiárias, atividade de grupo e participação na elaboração de instrumentos diversos necessários ao andamento do projeto, como as avaliações e também no planejamento das atividades, em conjunto com a equipe multidisciplinar.

O diagnóstico socioeconômico é um documento de grande importância, pois possibilita o conhecimento do nível de inclusão/exclusão social das alunas selecionadas, considerando-se vários quesitos como: escolarização, renda familiar, condições de moradia, acesso a programas sociais, expectativas, dentre outros. Tal instrumento visa à identificação da situação familiar para que seja realizado um encaminhamento adequado às políticas públicas, programas sociais e projetos existentes, bem como para o esclarecimento dos direitos sociais que as mesmas desconheçam.

MM - Com primeira turma, quais foram as dificuldades?

Íva Eline-
As dificuldades estiveram relacionadas ao custeio do projeto, uma vez que pela ausência de recursos, o Mulheres de Fortaleza, naquele momento, não pôde iniciar as aulas no próprio CEFET, conforme o apresentado às mulheres, o que gerou descontentamento e descrédito entre as mesmas, causando uma grande evasão.

A ausência de incentivos financeiros para a permanência foi outro agravante para a evasão, já que a maior parte das mulheres, pela situação socioeconômica precária, precisava contribuir na renda familiar e deixava de ir às aulas pelo fato de que tinha que realizar trabalhos temporários no horário da aula para a manutenção familiar.
Conseguiu-se conter a problemática da evasão a partir do momento em que as alunas tiveram acesso às instalações do CEFET e à bolsa de permanência.

MM - Na convivência em grupo, é normal acontecerem conflitos.  Que ações foram realizadas para minimizar ou evitar este problema?

Íva Eline -
A própria matriz curricular do Mulheres de Fortaleza traz disciplinas e atividades que visam ao desenvolvimento humano das beneficiárias, pois, embora se proponha a realizar a capacitação na área de Turismo, especificamente em governança e manipulação de alimentos, trabalha na perspectiva da educação integral, ou seja, a profissional que queremos inserir no mercado de trabalho é aquela com habilidades que ultrapassem a mera técnica, além de possuir os conhecimentos básicos da escola regular, que saiba conviver em grupo, tenha pró-atividade, tenha boa postura profissional e um comportamento ético. Dentre os instrumentos utilizados podemos destacar as palestras, dinâmicas e vivencias grupais, que contribuem bastante para a concretização de tal objetivo.

Aula prática de gastronomia. (Divulgação IFCE).

MM - Em relação à segunda turma, que trabalho você está desenvolvendo com as candidatas?

Íva Eline -
Estamos em fase de seleção das mulheres que farão parte da segunda turma do o Mulheres de Fortaleza. O trabalho desenvolvido está relacionado ao planejamento do processo de seleção, à elaboração de instrumentos e realização de entrevistas em conjunto com a equipe, com o intuito de atingir as mulheres do bairro Pirambu que se encontram no maior nível de exclusão social e econômica.

Como retrato do próprio sistema capitalista de acumulação vigente no Brasil, que tem em sua essência a produção de desigualdades, pode-se verificar que até mesmo as comunidades da periferia, possuem entre si uma estratificação de classes, ou seja, nela coexistem famílias de condições socioeconômicas de níveis baixo, médio ou alto, o que implica num maior ou menor nível de exclusão, daí o desafio de identificar quais delas estão em maior vulnerabilidade social.

O processo de seleção é de fundamental importância, uma vez que não temos vagas suficientes para todas as mulheres que procuram o projeto e também pelo impacto social que o Mulheres Mil se propõe a promover na comunidade, por meio de um maior equilíbrio das oportunidades de escolarização e geração de emprego e renda.

MM- Qual a importância do Mulheres Mil?

Íva Eline -
O Mulheres Mil representa um dos instrumentos de viabilização do direito social ao trabalho, assegurado na Constituição Federal de 1988. Diante do cenário de desigualdades existentes no Brasil e no mundo, faz-se necessário e urgente o estímulo às iniciativas que promovam inclusão social pelas vias da educação e do trabalho, aos segmentos que se encontram em situação mais desfavorecida, dentre eles o das mulheres, que estatisticamente são cada vez mais as responsáveis pela manutenção das famílias.

Stela Rosa – Jornalista do Mulheres Mil.
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