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Em entrevista, por e-mail, para o Portal do Mulheres Mil, Jos Nolle , responsável no Niágara Collge pelos departamentos de Serviços & Recrutamento de Estudantes Internacionais, , fala sobre a importância de políticas públicas educacionais para promover a inclusão socioeconômica de populações desfavorecidas.

Em entrevista, por e-mail, para o Portal do Mulheres Mil, Jos Nolle , responsável no Niágara Collge pelosdepartamentos de Serviços & Recrutamento de Estudantes Internacionais, , fala sobre a importância de políticas públicas educacionais para promover a inclusão socioeconômica de populações desfavorecidas. No Brasil, essas instituições são parceiras na implementação do Mulheres Mil.No Brasil, essas instituições são parceiras na implementação do Mulheres Mil.

Portal Mulheres Mil - Além do Brasil, em que outros países os colleges cooperam para profissionalizar mulheres e homens à margem do mundo do trabalho?

Jos Nolle - A ACCC (Associação das Faculdades Comunitárias Canadenses) e suas faculdades canadenses associadas têm projetos pela Ásia, África, Caribe e América Latina. O Niágara College, neste momento, tem projetos no Peru, Argentina, África do Sul e Sirilanka.

Portal Mulheres Mil - Quais são eles?

Jos Nolle - No Peru, nós trabalhamos com uma faculdade parceira para conceber e ofertar cursos de curta duração na área de hoteleira, especialmente para pessoas que vivem nas comunidades pobres que circundam a cidade de Arequipa.

No momento, nós ofertamos cursos em serviço de quarto, auxiliar de cozinha, panificação, segurança alimentar e manutenção. Todos os cursos são elaborados e baseados em treinamento, com base nas competências, em total cooperação com a demamda local. Depois de quatro a seis semanas, os treinandos têm oportunidade de trabalhar de dois as três meses em restaurantes ou hotéis locais.

Muitos são contratados posteriormente em regime permanente, enquanto que antes do treinamento eles não teriam nem considerado a possibilidade de tentar uma vaga naquela empresa. Para as mulheres, nossa faculdade parceira tem fornecido transporte local e creche para assegurar que o acesso ao treinamento seja igual para ambos os sexos. Isso é um exemplo de inclusão de gênero.

Na Argentina, temos feito um trabalho semelhante com as comunidades Guarani para planejar cursos de treinamento em turismo que sejam relevantes para suas crenças culturais.

Na África do Sul, trabalhamos com cooperativas em comunidades rurais pobres para aumentar a liderança local, a habilidade de trabalhar em equipe e em técnicas para artesanato e agricultura.

No Sirilanka, elaboramos programas de treinamento para aumentar a consciência ecológica em comunidades pobres, enfocando a criação de trabalhos em compostagem e agricultura orgânica.

Portal Mulheres Mil - O sistema de acesso implantado pelos colleges tem favorecido o acesso das populações desfavorecidas do Canadá. De que forma é desenvolvido o trabalho?

Jos Nolle - Existem vários programas diferentes. Dois dos grupos de mulheres mais vulneráveis estão entre as comunidades indígenas e a população dos novos imigrantes. Elas, às vezes, vivem em áreas isoladas, distantes das oportunidades de treinamento e trabalho ou travam uma batalha com a língua inglesa ou francesa, que são necessárias para se colocarem no mercado de trabalho. Há também situações desafiadoras, quando sua cultura não está em harmonia com a estrutura societária no Canadá.

Portal Mulheres Mil - A participação do setor produtivo é uma das características que garante a inclusão dessas pessoas no mundo trabalho. Que tipo de parcerias são feitas e que sistemática é adotada? Há contribuições financeiras dos empresários? Eles interferem, por exemplo, na questão pedagógica?

Jos Nolle - Existem cada vez mais exemplos nos quais a iniciativa privada segue os princípios de responsabilidade social coorporativa. Isso pode se dar tanto via patrocínio financeiro, participação ativa na elaboração dos programas de treinamento ou oferta de estágio, que são oportunidades de trabalho para testar as habilidades e usar as competências recém aprendidas.

Portal Mulheres Mil - De que forma são atendidas às necessidades do mercado, sem cair no risco de preparar os alunos apenas para um setor e sem deixar de prepará-los para a dinâmica do mundo do trabalho atual, que muda rapidamente?

Jos Nolle - O mercado de trabalho de qualquer país do mundo está sempre procurando por pessoas para os chamados trabalhos de nível de entrada. Tradicionalmente, a empresa hesita em contratar pessoas que não tiveram treinamento profissional ou superior. Mas isso está mudando. Cada vez mais os empregadores estão procurando também pelo o que chamamos de soft skills: serviço ao consumidor, trabalho em equipe, solução de problemas, etc.

Essas competências estão se tornando muito importantes no mercado de trabalho onde a tecnologia da informação tem substituído tarefas manuais e exige uma quantidade maior de pensamento crítico e solução de problemas.

Pessoas que foram traumatizadas, de uma forma ou de outra, pela pobreza, violência doméstica ou outros desafios acabam tendo uma baixa auto-estima. Isso faz com que o aprendizado de soft skills se torne mais difícil. Portanto, os programas de treinamento de acesso devem sempre iniciar com a auto-avaliação e a avaliação de aprendizado prévio.

Baseado nos resultados das avaliações individuais dos treinandos, a instituição pode fazer uma análise dos hiatos de habilidades de cada um. Somente então um programa de capacitação efetivo pode ser escolhido para cada indivíduo.

Portal Mulheres Mil - Qual a importância de implementar políticas públicas educacionais para as populações desfavorecidas?

Jos Nolle - As políticas públicas sempre desempenham um papel crucial. As políticas no Canadá garantem que nós não percamos pessoas no nosso sistema e oferecem redes de segurança para as pessoas traumatizadas e em desvantagem. As políticas também oferecem incentivos para a indústria privada serem apoiadores ativos. Finalmente, as políticas determinam os padrões e mecanismos de controle de qualidade.

Portal Mulheres Mil - Como o senhor avalia andamento do Mulheres Mil?

Jos Nolle - O projeto é enorme, envolve 13 instituições do Brasil e o Ministério da Educação. Do lado canadense, nós temos a ACCC e oito faculdades canadenses que adicionam valores ao processo. Fizemos, em 2005 e 2006, um piloto inicial com apenas cinco Cefets e uma faculdade canadense. Agora o programa está em escala maior, exige mais coordenação inicial. Representantes de todos os 13 Cefets já visitaram o Canadá, conheceram um pouco dos programas de acesso canadenses e viram como a estrutura organizacional funciona nas faculdades para sustentar os programas de acesso em uma perspectiva de longo prazo.


Stela Rosa – Jornalista do Mulheres Mil
Tradução - Sarah Virgínia - Docente do Cefet – Ceará

 

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