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Em Pernambuco, as primeiras reuniões aconteceram na associação de moradores (Divulgação IFPE)
“Meu sonho era entrar no Cefet como escola técnica, não consegui realizar. Estou realizando hoje, com 33 anos. Estou tão orgulhosa disso, porque estou fazendo um curso profissionalizante que vai servir para meu futuro, meu marido e meus filhos”.

O depoimento de Crislete Marcelino de Souza, formada pela primeira turma do Mulheres Mil de Fortaleza, retrata um sentimento comum entre as mulheres que estão sendo beneficiadas pelo programa. A maioria sequer teria coragem de ultrapassar as portas de entrada dos Institutos Federais (IF) se não houvesse mudanças na sistemática de acesso.

Mudando a lógica de ingresso, o Mulheres Mil está fazendo o caminho inverso. Os IFs vão às comunidades e sensibilizam as mulheres a participarem do projeto. Repensar o modelo de acesso e dar maior valorização aos cursos de extensão são, segundo Sérgio Gaudêncio, reitor do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), os principais desafios trazidos pelo programa às instituições.

“As formas tradicionais beneficiam quem teve acesso à escolaridade, ou seja, ao estrato social com poder aquisitivo. Há políticas educacionais e sociais estimulando a expansão e, como conseqüência, a inclusão dos menos favorecidos numa realidade de elevação da escolaridade”, avalia Gaudêncio.

Em Recife, o projeto beneficia as moradoras da Vila Chico Mendes, localizada no bairro periférico de Areias. Atualmente,  24 alunas estão fazendo uma oficina de produção de licores. Elas concluíram o módulo da parte teórica, composto por disciplinas de português, matemática, informática, direito e saúde da mulher, cooperativismo, entre outras. No total, serão beneficiadas 110 mulheres.


Inclusão social para mulheres desfavorecidas

Equipe do IFSE procurou a Care e ofereceu a qualificação (Divulgação IFSE)
Nara de Souza, gestora do projeto de Sergipe, explica que o bairro Santa Marta foi escolhido pelas características de exclusão. “O local é marginalizado, os moradores sofrem com a exclusão social e grande parte das mulheres está desempregada ou em emprego incerto e sem qualificações definidas”, explica Nara.

A importância de fazer o caminho inverso para o acesso, segundo Nara Souza, é demonstrar a relação de proximidade e de vontade de proporcionar a inclusão social de comunidades desfavorecidas no contexto técnico-educacional dos IFs. “Essa dinâmica demonstrou, para os professores, que é possível, através do saber técnico, a construção de uma organização comunitária e, por conseguinte, a fomentação de troca de conhecimentos, como é o exemplo do saber que as selecionadoras da Care trazem sobre o aproveitamento de resíduos sólidos como oportunidade de renda familiar”, ressalta.

Andamento

Atualmente, as 24 alunas de Pernambuco estão fazendo uma oficina de produção de licores. Elas concluíram o módulo da parte teórica, composto por disciplinas de português, matemática, informática, direito e saúde da mulher, cooperativismo, entre outras. No total, serão beneficiadas 110 mulheres.

Em Sergipe, 40 mulheres estão participando da formação nas áreas de resíduos sólidos e artesanato. Já foram ministradas aulas de informática, oficina de artesanato e palestras sobre vários temas. Agora em julho, elas estão participando da oficina disciplina Psicologia da Mulher, do módulo Identidade e Cidadania Ativa. O objetivo é auxiliar as mulheres a compreenderem as suas emoções.

Stela Rosa - Jornalista do Mulheres Mil
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