Portal do Governo Brasileiro
Sandra Regina
Mulheres ociosas e sem perspectivas de futuro. Foi esse o quadro que Sandra Regina Santos, diretora da penitenciária feminina de Boa Vista, encontrou as mulheres quando assumiu a administração. Após um ano de implantação do Mulheres Mil, Sandra aponta a elevação da autoestima como um dos resultados.

Portal Mulheres Mil - Qual o perfil das mulheres que cumprem pena na cadeia pública feminina de Boa Vista?
Sandra Regina Santos - A maioria se evolveu com o trafico de drogas, tem o grau de escolaridade baixa e faixa etária entre 20 a 50 anos.

Portal Mulheres Mil - Como foi construída a parceria com o IFRR para a implantação do projeto?
Sandra Regina Santos - Quando fui convidada para administrar este presídio, fiquei balançada, pois não tinha experiência em trabalhar com mulheres, até então tinha trabalhado com homens, mas aceitei o desafio. Ao chegar nesta unidade, encontrei mulheres sem perspectivas, que passavam o dia dormindo, jogando cartas ou com picuinhas.

Foi quando fomos ao CEFET pedir que a instituição proporcionasse algum de atividade física e recreativa para as reeducandas. Lá a professora Jane Amorim (gestora do projeto no Estado) nos informou que já havia um projeto prontinho para ser desenvolvido com as reeducandas e que se chamaria Mulheres Mil. Em pouco tempo, o projeto começou e foi uma maneira de ocupar o tempo e ensinar uma profissão para elas, sem contar que conta para remissão de pena.

Portal Mulheres Mil - Qual a importância do Mulheres Mil para essas cidadãs?
Sandra Regina Santos - Creio que esse projeto tem uma grande importância para cada uma que participa, pois temos visto que elas falam que quando saírem daqui vão colocar o seu próprio negocio para poderem trabalhar e viver dignamente.

Portal Mulheres Mil - Que mudanças você perceber no comportamento e na autoestima das mulheres?
Sandra Regina Santos - Elas criaram uma responsabilidade, estão aprendendo a cumprir regras e tem esse projeto como uma porta que abriu para um futuro melhor. Quanto à autoestima, elas perceberam que não é porque estão privadas de sua liberdade que não são seres humanos. Erraram, mas estão pagando pelos erros e, ao mesmo tempo, aprendendo uma profissão.

Portal Mulheres Mil - Que preconceitos essas mulheres enfrentam da sociedade e das famílias?
Sandra Regina Santos - A maior parte delas já tem uma história familiar conturbada. Algumas não recebem visitas de familiares. Sabemos que é fundamental a família na vida de qualquer ser humano, não é porque erraram que devem ser abandonadas.

Se o preconceito da sociedade fosse menor, o índice de reincidência diminuiria, pois essas mulheres e até mesmos os homens muitas vezes cometeram qualquer infração pela primeira vez. Se sociedade tiver sempre esse pensamento e não derem oportunidades de trabalho, com certeza elas voltarão para o mundo do crime.

Stela Rosa – Jornalista do Mulheres Mil
© Ministério da Educação. Todos os direitos reservados | Desenvolvimento: DTI - MEC - Governo Federal