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Entrevistas - Alimento da Inclusão Social

Besi Martins Ferreira

Besi Martins Ferreira, aluna do Alimento da Inclusão – Campus Monte Castelo - tem o nome da deusa da enfermagem. A justificativa se deve aos pais que atuam na área. Casada e mãe de um casal de filhos, trabalha como digitadora em um laboratório de análises clínicas, mas também atua na organização de festas, ajudando a encher balões. Lidar com a saúde e com o atendimento ao público sempre fez parte de sua vida.

MM – O que levou você a procurar o projeto Mulheres Mil?

Besi – O desejo de aprender outras coisas, inclusive melhorar minha vida, minha alimentação e de minha família.

MM – Como é seu trabalho nos eventos?

Besi – É uma atuação em equipe, cada um cuida de uma parte. Como tive aulas de empreendedorismo aqui no curso, então ajudo também no orçamento e segurança do trabalho.

MM – Como você aplica o que aprendeu sobre segurança do trabalho?

Besi – Aprendi que o balão solta um pó prejudicial à saúde e que o compressor pode prejudicar a audição por causa do barulho, então utilizo equipamentos de segurança como máscara e protetor de ouvidos. Quanto às aulas de empreendedorismo, hoje sei muito bem como me dirigir ao cliente.

MM – E quanto à manipulação dos alimentos?

Besi – Renovei meus conhecimentos aprendendo mais sobre a melhor utilização dos utensílios de cozinha, receitas e higienização dos alimentos.

MM – O que você espera do projeto?

Besi – Gosto de descobrir coisas novas, de lidar com o público, sei também que lidar com a saúde das pessoas é coisa séria, por isso é preciso ter cuidado com tudo, até mesmo saber falar, se expressar. Estou aqui porque posso aprender sobre tudo isso.

Valdália Andrade – Assessoria de Comunicação – IFMA

Mulheres Mil veio para ficar.

Entusiasmado com os resultados do Mulheres Mil, o reitor do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), José Ferreira Costa, pretende expandir o projeto para outros campi. Lá a ação está beneficiando moradoras da Vila Palmeira e do Centro Histórico, com a oferta de cursos na área e alimentos e artesanato. Índice pequeno de evasão e inserção das alunas no mundo do trabalho são resultados comemorados pelo reitor.

MM- Quais as peculiaridades do MM?

José Costa - Não dá para tratar as alunas do projeto como os nossos demais alunos. O primeiro trabalho que precisa ser feito é o de convencimento, e é isso que torna o projeto diferenciado e especial, porque você precisa sensibilizar essas mulheres que estão fora da escola há muito tempo, aquela parcela da população que mais necessita. Também é necessário convencer internamente o nosso pessoal a realizar o trabalho.

MM – Quais os principais resultados que o senhor aponta?

José Costa - Na cerimônia de formatura, o sentimento que nos tivemos foi de vitória. Quando vimos a felicidade das alunas e as possibilidades de inclusão no mercado ou até mesmo delas colocarem seus próprios negócios, ali se materializou um momento de vitória, porque estamos diante de um curso que começou com todas as dificuldades e parecia difícil de tocar e nós chegamos ao final daquela primeira turma com 90% das alunas participando do projeto.

Isso não é simples. Em educação de jovens e adultos, os dados no Brasil mostram que 30% dos alunos deixam o curso, e nós mantivemos 90% das alunas. Elas estavam felizes, percebíamos na forma como elas se manifestavam, na suas falas, nas suas gesticulações. Isso demonstra que nós chegamos ao final do curso com sucesso.

MM- Quais os planos em relação ao projeto?

José Costa - Esta é uma das nossas capacitações que mais está dando certo. Já estamos com outras turmas, e o Mulheres Mil veio para ficar. Ele veio mostrar que tem muita gente precisando de escolarização e de profissionalização e que nós não estávamos cuidando desse grupo. Mostramos que é possível. Aqui queremos chegar a mil mulheres, comemorar e depois seguir para mais mil. E que não seja só na minha gestão, quem estiver acompanhando sabe que é um projeto que tem que continuar. Sinto que fizemos um grande trabalho.

Estudantes de Nutrição repassam conhecimentos para as mulheres

Uma das parcerias consolidadas que o Alimento da Inclusão realizou, desde o início das atividades, foi com a Universidade Federal do Maranhão. Em 2009, a instituição fez a primeira seleção para que as alunas do curso de Nutrição participassem do estágio voluntário junto às meninas do projeto Mulheres Mil.

Atualmente, no laboratório de alimentos, do Instituto Federal do Maranhão, as futuras nutricionistas, Caroline Cardoso e Amanda Oliveira, estudantes do sétimo período, juntamente com a culinarista do Senac, Marly Carvalho e a gestora do projeto, Teresa Fabbro, ministram disciplinas direcionadas para a área de nutrição e saúde e técnicas de preparo, transformação e congelamento de alimentos. Aqui, as estagiárias explicam por que optaram por este projeto de inclusão.


Mulheres Mil – Por que vocês escolheram nutrição?

Amanda – Eu escolhi nutrição por causa de minha mãe que, desde cedo, me ensinou a ter uma alimentação saudável.

Caroline – Eu sempre estive envolvida com alimentação e saúde. Fiz cursos técnicos de Química e Panificação.

M M – Vocês iniciaram o estágio no início do semestre, já é possível fazer uma avaliação?

Amanda – Sim, gosto do estágio porque é diferente, lidamos com um público mais carente e temos a oportunidade de dar aulas. Eu aprecio muito a docência e aqui posso praticá-la.

Caroline – Este foi o único estágio que nos permitiu lidar com muita gente, pessoas que têm uma história de vida e que não são vistas como pacientes, que ficam atrás de uma mesa, mas como alunas, amigas e companheiras.

M M – Como está sendo o convívio com as mulheres?

Amanda – Está sendo um desafio porque as alunas são mais velhas do que eu. Ao mesmo tempo, é interessante porque elas nos ensinam muitas coisas, tanto sobre alimentos, como sobre a experiência de vida que cada uma tem.

Carol – Por outro lado, às vezes falta a elas o conhecimento de coisas básicas e nós repassamos isso. Então é gratificante.

M M – O que as alunas relatam em sala de aula?

Amanda – Elas falam que têm vontade de melhorar de vida, de estudar e ter uma profissão. Dizem também que gostam do projeto e eu acredito que elas vão alcançar os objetivos, porque são muito dedicadas.

Carol – Algumas alunas, depois de nossas aulas, revelam que querem se formar em Nutrição. Elas perguntam tudo sobre o curso, são curiosas e dizem que isso aqui é só o primeiro passo.

Valdália Andrade – Assessoria de Comunicação IFMA

Marly, à direita, com uma das alunas.

Marly Carvalho, culinarista cedida pelo Senac, parceiro do Mulheres Mil no Maranhão, ministrou aulas de congelamento, doces e salgados, culinária maranhense, massas, cozinha executiva, bombons e doces caseiros. Em entrevista para o Portal do Mulheres Mil, ela fala do interesse e da garra das alunas.

MM – Como é trabalhar com o Alimento da Inclusão?

Marly – Eu gosto, porque é um projeto abrangente e forte. Aprendo com a coordenadora, Maria Tereza, e com as alunas. É tudo muito dinâmico, ao mesmo tempo que ensinamos, também absorvemos informações.

MM – Qual a principal lição que você tira deste aprendizado?

Marly – Elas são muito humildes e a maturidade de muitas não as impede de tirar dúvidas, ouvir e questionar para ter um aprendizado maior. Na dinâmica de apresentação do primeiro dia de aula, elas mostraram que queriam aprender e isso já abriu um leque imenso, transformando-se em uma grande vantagem para elas.

MM - É possível citar alguma curiosidade que você percebeu no cotidiano de sala de aula?

Marly – Nós elaboramos receitas para elas fazerem em casa e elas cumprem a tarefa adequadamente. Mas, para isso, me ligam com frequência, a qualquer hora, no intuito de tirar as dúvidas. Elas não têm receio de fazer perguntas e no dia seguinte trazem os pratos para me mostrar e saber se aprovo.

MM – Elas falam de perspectivas futuras?

Marly – Sim, falam de montar grupos e formar cooperativas, até porque ninguém pode trabalhar sozinho. Ensino para elas que é preciso se juntar a outras pessoas e buscar ajuda, especialmente com aquelas que temos mais afinidade.

MM – Elas são unidas?

Marly - São muito coesas. Estão sempre preocupadas em dividir o lanche com as outras colegas, ninguém fica isolado. Isso é fundamental na montagem de cooperativas e é repassado o tempo todo que elas têm muita força de vontade e estão numa instituição que acolhe e dá apoio.

MM – O que você recomenda para elas?

Marly – Que sigam em frente, não desistam diante das dificuldades, principalmente no ramo de alimentação, que é muito vasto e pode ajudar todas a sonhar e realizar.

Valdália Andrade – Assessoria de Comunicação IFMA

Creusenir Freitas segue exemplo da filha (Divulgação IFMA)

Creusenir Freitas do Carmo, moradora da Vila Palmeira, chegou em São Luis há três anos, vinda de Bacabal, a 230 km da capital maranhense, no intuito de melhorar de vida. Participante da segunda turma do Alimento da Inclusão, no Maranhão, ela diz depositar essa expectativa no projeto, de onde viu sua filha, Flaviana Freitas, aluna da primeira turma, partir para o mercado de trabalho.

Atualmente Flaviana é funcionária da lanchonete Bomdiboca, conhecida rede de fast food em São Luis e parceira do Mulheres Mil. “Ela sempre me falou muito bem do projeto. Fiquei feliz com o desempenho dela, pois sei que sem trabalho não é possível seguir na vida”, relata Creusenir, acrescentando que cada aula é uma novidade.

Como exemplo, ela cita a disciplina Direitos e Deveres, Ética e Cidadania, ministrada atualmente pelas professoras Cecília Borges e Eveline Sousa. “Aqui compreendi que moral e bons costumes são coisas que a gente começa a aprender em casa e que é preciso correr atrás de nossos sonhos, pois não somos inferiores a ninguém”, diz a aluna sem deixar de agradecer a Deus a oportunidade de voltar à sala de aula. “Não é todo dia que temos a chance de fazer um curso bom e de graça”, conclui Creusenir.  

Valdália Andrade – Assessoria de imprensa do IFMA

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