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Entrevistas - O Doce Sabor de Ser

Meta de Quitéria é a certificação (Gerônimo Vicente)

“Desta vez vou até onde der”. A afirmação de Maria Quitéria da Silva, 31, é um reflexo de que, apesar das dificuldades, a inclusão social proposta pelo Mulheres Mil está se concretizando.  Aluna do projeto em Alagoas,  havia 15 anos que Quitéria não entrava em uma sala de aula.

“Fiz até o quarto ano primário. Então, houve a separação dos meus pais e, anos depois, o primeiro casamento, quando abandonei, de vez, os estudos porque meu marido me proibia de estudar”,  conta Quitéria.

Para entrar no Mulheres Mil, o primeiro desafio de Quitéria foi acreditar na proposta do projeto.   “No começo,  pensava que fosse mais uma promessa de políticos. Mas, depois das primeiras aulas, coloquei fé”, relata.

Empolgada com oportunidade, ela conseguiu convencer a mãe, a irmã e a tia a entrarem no programa. Agora, Quitéria pretende concluir a capacitação para ser reinserida no mercado de trabalho.

A qualificação profissional ofertada em Alagoas será na área de alimentos para aproveitar os conhecimentos das alunas, pois muitas produzem e vendem doces  e salgados nas margens da rodovia AL- 101 Sul, estrada que passa no povoado de Massagueira,  centro gastronômico do Estado.

Gerônimo Vicente – Assessoria de imprensa do IFAL

A alagoana Maria de Lourdes foi uma das alunas do Mulheres Mil que participou do Fórum Mundial de Educação Profissional Tecnológica. Para continuar no projeto, ela enfrentou a resistência do marido e disse não à violência domestica. O sonho é garantir uma renda melhor para criar os filhos.

 

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Sebastiana

Para a alagoense Maria Sebastiana da Silva, 49 anos, a vida sempre foi dureza. Sozinha, ela arcou com criação dos seus quatro filhos e sustenta um sobrinho. Para garantir a renda da família, ela cata marisco na lagoa de Madaú, faz artesanato filé e vende confecções. No total, ganha cerca de R$ 80 por semana.

Ela cursou  alfabetização  no tempo do Mobral, mas parou os estudos para se casar. Com o Mulheres Mil, ela voltou para a sala de aula junto com as duas filhas, que já são casadas. Desta vez, apesar da dificuldade de enxergar, ela disse que  vai até o final e espera, com isso, um futuro melhor. “Estou achando maravilhoso o programa. As aulas, as professores e as pessoas com quem passei a conviver”, ressaltou Sebastiana.

Outra história de persistência é de Venúzia Silva de Lima, 28 anos. Semi-analfabeta, ela trabalha de doméstica para ajudar o marido no sustento dos seis filhos. Ela tomou  conhecimento do programa por intermédio do projeto de distribuição do leite. “Fui receber o leite e encontrei a irmã Luiza conversando com a professora Magda Zanotto e fui convidada a participar”, afirmou.

Segundo  Venúzia de Lima, voltar aos estudos está melhorando a vida, inclusive a relação com o marido. “Vivíamos discutindo, mas agora a gente dialoga mais e até estou ensinando o que aprendo para ele”, declara. Ela relara que enfrentou resistência do marido, mas, aos poucos, ele foi aceitando.  “No começo, ele não gostou da minha participação, mas a situação mudou, depois que mostrei os resultados”, relata.

Gerônimo Albuquerque – Assessoria de imprensa do IFAL

A história de Maria de Lourdes dos Santos, 34 anos, uma das alunas do  Mulheres Mil em Alagoas é recheada de desafios e desilusão. A mais recente custou-lhe uma separação conjugal. O marido ciumento a desafiou: “ou a escola ou eu”. Lourdes preferiu a sala de aula e largou o companheiro, depois de sofrer várias agressões. “Não vou deixar o projeto que já estou envolvida há um ano por causa de ciúme de homem. Quero ser gente no futuro, pois já sofri bastante na vida”, ressaltou a aluna.

Maria de Lourdes é ex- tiradora de coco. Subia em coqueiro tirava o fruto, descascava e vendia na feira de Marechal Deodoro, município alagoano onde mora. Do primeiro casamento perdeu um filho de nove anos, depois de um acidente com uma bicicleta. A angústia pela perda do filho provocou a primeira separação. Ficou apenas um casal de crianças que hoje estão com 16 anos (a menina) e 15 (o menino).

Sozinha, para manter os dois filhos, Lourdes apostou em um novo relacionamento e se arrependeu, porque o companheiro quis lhe tirar, principalmente, aquilo que mais interessava a ela, que era estudar. “Ele rasgou meus livros, quebrou meu lápis e jogou minha borracha no lixo para impedir que eu fosse participar do programa Mulheres Mil. Dizia que eu ia namorar e me espancava”, contou a aluna que diante da atitude do agressor, resolveu se separar mais uma vez.

Hoje, Lourdes está no terceiro relacionamento e, desta vez, acha que acertou na escolha do parceiro. “Este novo me apóia, dá força para prosseguir meus estudos. Até para Brasília vou viajar para participar do Fórum Mundial, Ele não  reclamou, apenas incentivou”, disse animada Maria de Lourdes.

A aluna foi uma das primeiras a se engajar no programa Mulheres Mil na comunidade de Vila Santa Ângela, no povoado de Massagueira, Marechal Deodoro. Chegou a desistir várias vezes devido ao complicado relacionamento conjugal, do qual ela se ver aliviada. “Este tem sido um dos problemas mais freqüentes registrados. Além de convencer as alunas, temos que convencer também os maridos sobre a importância do programa, afirma a professora, Eliana Santos. O caso de Maria de Lourdes era o mais complicado, devido à condição de analfabeto do marido.” Ela não podia ficar fora da turma, pois é a mais animada “, prosseguiu a professora.

E realmente, o semblante da aluna mostra pré-disposição para seguir em frente. “Quero ir longe. Arrumar um serviço bom para mim, pois perdi muito tempo de minha vida com casamento. Aqui eu estou conhecendo as pessoas, novos lugares. Se não for isso, como vou conhecer as coisas e conhecer pessoas novas? Indagou Maria de Lourdes.

Desde os 10 anos de idade que Maria de Lourdes vive da agricultura e da pesca. Trabalhou em roça, tirou coco e pescou na lagoa Mangaba, sozinha, apenas acompanhada de uma canoa e uma rede. Prestes a ser avó, ela tem mais dois desafios a enfrentar na vida, mas, desta vez, com muita satisfação que são: concluir o ensino médio (pois parou no primeiro ano do ensino fundamental) e cuidar da neta que vai nascer.

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