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Entrevistas - Um Tour em Novos Horizontes

Estudar pedagogia é a próxima meta.

Adriana Coelho Silva, 21, é mais uma aluna do Mulheres Mil que ingressou no mercado de trabalho. Moradora da Vila 2 de Julho, em Salvador, Adriana fez curso de telemarketing, informática,aprendeu a fazer coquetéis no Senac e trabalhou em alguns lugares, mas sem carteira assinada, direito que agora está garantido. 

Atualmente, ela está trabalhando na transnacional Atento, terceirizada que presta serviço à empresa de telefonia Vivo. “As aulas sobre qualidade de vida, relacionamento interpessoal e as dinâmicas de grupo me ajudaram nas entrevistas”, destaca Adriana.

O primeiro contato com o projeto foi como voluntária. Ela ajudou a fazer matrícula das mulheres da comunidade e depois resolveu participar do curso. “Meu interesse pelo curso foi mais pelo objetivo do projeto que é resgatar mulheres para educação e despertar seus sonhos antigos”, destaca

Na capacitação, aprendeu informática básica, conceitos sobre qualidade de vida, meio ambiente, saúde e direito das mulheres, empreendedorismo, noções básicas de governança, direitos e deveres da camareira, técnicas de hotelaria, visitou hotéis e fez passeio em pontos turísticos de Salvador.

Hoje, com o novo trabalho, que lhe assegura os direitos trabalhistas, Adriana está realizada e tem planos para o futuro. “Penso em estudar pedagogia e fazer curso de inglês. Pretendo me especializar em educação para jovens e adultos”, relata.

Dayanne Pereira – Assessoria de imprensa do IFBA

Com certificado, Marialda sente-se segura para procurar emprego

Aos 40 anos de idade, Marialda Dias é um exemplo de persistência. Aluna durante seis meses do curso de Cuidador Domiciliar, em Salvador, ela já havia buscado outras vias de ingresso no mercado de trabalho. Antes da formação no Instituto Federal da Bahia, chegou a frequentar aulas de copeira e de camareira. Além disso, trabalhou durante um tempo em um hotel – emprego que conquistou graças às duas formações. Ao ficar desempregada, passou por uma fase difícil.

A informação do curso de cuidador chegou de uma forma inusitada, quando ela estava no salão de beleza, cortando o cabelo e ouviu alguém comentando a respeito do Mulheres Mil. “Imediatamente, me inscrevi. Falaram que haveria uma seleção; fui selecionada e fiquei muito alegre, porque é um curso que está abrindo portas no mercado. Cursei e estou muito satisfeita”, lembra.  

Marialda conta que, para seguir na profissão, é preciso, além do conhecimento, amor. “Não adianta você ir tomar conta do idoso e não ter carinho e atenção. Isso é o mais importante. Quando tivermos problemas e formos tomar conta dos idosos, temos que deixar os problemas em casa. Precisamos chegar alegre, pois é isso que eles querem – carinho, amor e alegria”, pontua.

Ao ser questionada sobre um emprego futuro, Marialda diz que, com o diploma em mãos, passará a procurar. “Vou fazer inscrições em uns hospitais que sei que precisam de cuidadores, e eles exigem o certificado”. Ela fala também do impacto que o curso causou em sua vida. “Mudou tudo, para melhor. Passei a enxergar o dia-a-dia de outra forma, principalmente no que se refere à preocupação com o próximo e ao auxílio às pessoas”, relata.

Ela faz questão de ressaltar que o aprendizado trazido pela capacitação extrapola em muito a formação profissional. “A gente percebe a realidade da vida, mais do que nunca, ao fazer um curso como esse. Quando visitamos os idosos, vemos que, em muitos casos, os parentes simplesmente não ligam para eles. Pensam que ficarão jovens a vida toda, o que é um engano. Todos precisam de todos”, alerta.

Felipe Dieder – Assessoria de imprensa do IFBA

Orgulhosa, Maria das Graças exibe certificado

Maria das Graças é uma das alunas do Mulheres Mil que já está dando Um Tour em Novos Horizontes, nome do projeto em Salvador.  Ela conseguiu emprego antes de estar formada, ainda sem o certificado nas mãos e aumentou sua renda em 140%. Uma proeza que trouxe orgulho para professores e serviu de estímulo para as demais alunas.

Mãe de três filhos, com 50 anos, ela participou, junto com outras 24 mulheres, da qualificação profissional na área de cuidador domiciliar, ofertada pelo Instituto Federal da Bahia, através do Mulheres Mil.

Antes do curso, Maria das Graças trabalhava como doméstica, fazia faxina, lavava roupa, fazia comida por três dias na semana e ganhava R$250. Hoje ganha R$600 atuando na profissão de cuidadora e trabalhando em dias alternados. “Tomo conta de uma idosa de 70 anos”, relata

“Eu trabalhava mais e ganhava menos. Depois do curso, mudou muita coisa, fiquei mais inteligente, aprendi a lidar com as pessoas e, principalmente, com os idosos. Foi bom, trabalho nenhum pra mim é ruim, mas esse é muito bom”, diz realizada com a nova atividade.

Hoje, Maria sente-se preparada para a tarefa. Entre as atividades diárias que desempenha estão dar os medicamentos nos horários corretos, aplicar insulina, verificar pressão, fazer teste de glicemia e dar o banho. “Achei o curso ótimo, aprendi a lidar com as pessoas. Eu sabia pouco sobre cuidador de idosos, e o pouco que sabia era quando cuidava da minha mãe”, afirma.

Além dos cuidados concretos, Maria ainda explica algumas peculiaridades necessárias para cuidar de um idoso. “É ter paciência, ter cuidado para não deixar a pessoa cair, escutar o que eles falam, não ser grosseira e não maltratar”, afirma.

Na última quinta-feira (14/01), Maria das Graças se formou na turma de 25 mulheres. No momento em que recebeu o certificado, agradeceu a todos os professores pelo conhecimento adquirido e por estar empregada. Para o futuro, ela pretende fazer mais cursos para se aperfeiçoar ainda mais na profissão. Para as próximas alunas, ela deixa uma mensagem: “é preciso ter paciência no trabalho e cuidar bem das pessoas, além de superar as dificuldades”, aconselha.

Dayanne Pereira – Assessoria de imprensa do IFBA

Indyara relata a importância da capacitação

Indyara Nogueira, estudante de enfermagem, atuou na formação das alunas do Um Tour em Novos Horizontes, em Salvador.  Em janeiro, o Instituto Federal da Bahia certificou a primeira turma de cuidadoras de idosos, formada por 25 mulheres da Vila Dois de Julho.  A docente ressalta que o desempenho das alunas foi surpreendente.

MM - Qual a importância de ofertar um curso nessa área?
Indyara Nogueira - Diferente de outros países, onde o aumento de idosos aconteceu de forma gradativa, no Brasil, foi de forma abrupta, em 10 anos mudou muito esse quadro. As instituições, nem as públicas e nem as particulares, estão preparadas, mas a demanda é muito grande. Desenvolver um curso desses dentro de uma instituição de ensino federal, que deve ser a vanguarda, pode dar margem ao aparecimento de outros, mesmo particulares.

MM - Como foi o desempenho da turma?
Indyara Nogueira - São mulheres que, apesar do difícil acesso à saúde, entendem a necessidade de humanizar e muitos profissionais formados não têm esse entendimento. Ter esse entendimento em um período de seis meses de curso me surpreendeu. A primeira impressão delas foi de que o cuidado com o idoso é difícil, mas isso pode significar um bem estar no sentido de você cuidar do outro, no sentido de você se doar, e a doação traz esse beneficio. Eu fiquei muito impressionada e comovida com a postura da turma, porque diminuiu a resistência com a questão do cuidado.

MM - Quais são as peculiaridades dos cuidados com o idoso?
Indyara Nogueira - É diferente você falar do idoso e de uma criança, talvez eles tenham delimitações físicas parecidas, mas psicologicamente são completamente diferentes. O idoso é alguém que trabalhou, foi economicamente ativo e não quer interromper esse ciclo. Daí pode entrar em estado de depressão quando interrompe.

Tem que respeitar a questão cultural que é diferente da nossa geração, o idoso é bem mais recatado. Diferenciar homem e mulher e tentar tomar cuidado com a questão da sexualidade, que deve ser respeitada, bem como com o uso de medicações extras, de drogas, alcoolismo e depressão, que, com o passar do tempo, interferem na saúde do idoso e, consequentemente, no cuidado.

E a profissão não é somente prestar o cuidado e sair, ele precisa de atenção e carinho. A forma de dialogar com o idoso é diferente, ele tem características distintas para exigir da pessoa técnicas específicas de comunicação e conhecimento sobre as diferentes patologias.

MM – Que aprendizagens a experiência trouxe para você?
Indyara Nogueira - Formar uma turma e conscientizar como é difícil o cuidado com o idoso e tentar humanizar esse cuidado é uma experiência que dificilmente se tem dentro de uma universidade.

Dayanne Pereira – Assessoria de imprensa do IFBA

Márcia Dionato (Felipe Deider)

Márcia Dionato, 32, não conheceu os pais. Essa é a grande marca que carrega. Apesar disso, sempre soube correr atrás do que queria. Criou-se em orfanato até a adolescência, quando começou a trabalhar como agente de limpeza. Foi esse emprego que, ao longo do tempo, lhe permitiu a construção do que muitos não têm: a tão sonhada casa própria. Aluna do curso de Cuidador Domiciliar, ofertado pelo Um Tour e Novos Horizontes, em Salvador, ela exala, nas palavras e no olhar determinado, confiança.

MM - Que mudanças o curso já trouxe pra você?
Márcia Dionato
– Esse curso representa muito pra mim. Estou aprendendo coisas que não sabia antes e terei a chance de conquistar um emprego, pois, hoje, estou desempregada. As aulas de informática são um pouco complicadas, já que nunca tive acesso o computador. Mas sei que vou aprender. Quando recebi a notícia de que iria participar do curso, mal pude acreditar – o IFBA sempre foi uma grande referência.

MM – Quem fez a sua inscrição?
Márcia Dionato
– Uma amiga minha. Ela viu o anúncio, falou comigo, e, a princípio, não me interessei muito. Mas ela fez a inscrição e acabei me animando bastante quando soube que ia participar.

MM – Márcia, como foi sua infância?
Márcia Dionato
– É muito difícil não ter conhecido minha mãe. É duro lidar com a rejeição e se sentir sozinha. Passei a infância no orfanato, onde aprendi a conviver com outras pessoas. Esse foi um aprendizado que trago, inclusive, aqui para o curso – o do respeito ao limite na relação com o outro.

MM – Você é casada? Tem filhos?
Márcia Dionato
– Moro há oito anos com uma pessoa que me valoriza muito em todos os aspectos – como amiga, como mulher. Ele é muito, muito importante para mim. Tive um filho quando era jovem, com apenas 21 anos, e criei-o praticamente sozinha, não cheguei a me relacionar com o pai dele. Hoje, meu maior objetivo é dar a ele a melhor criação possível. Quero que ele seja alguém, que estude para isso.

MM - Você tem sonhos?
Márcia Dionato
– Meu maior sonho é conhecer minha mãe. Nunca nos encontramos, mas tenho certeza que um dia vamos nos ver. Queria que ela soubesse a filha maravilhosa que ela tem, a pessoa que me tornei. O outro sonho é me casar de verdade. Nem me importo muito em casar na igreja, mas quero me casar no papel, ser oficialmente casada. Sonho muito com isso.

Felipe Dieder – Assessoria de imprensa do IFBA

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