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Edilene planeja montar o próprio negócio. (Gil Aciolly)
“Meu atual sonho é concluir o curso Culinária Solidária e abrir um negócio próprio através de um financiamento do Banco do Nordeste. Quero terminar de criar meus filhos, ver meus netos”, conta Edilene Lima Silva, 38 anos, que teve uma trajetória marcada pela violência doméstica, fome e desemprego.

Com apenas 13 anos, Edilene foi obrigada a casar e sair da casa dos pais. O motivo do casamento precoce foi tão doloroso que ela prefere não falar sobre o assunto. “Casei com meu primeiro namorado, um policial que bebia muito. Não gosto nem de lembrar o que me levou a tomar tal atitude”, desabafa.

A jovem sofria com a violência do marido. A coragem para se separar só veio quando Edilene encarou a morte. “A gota d’água foi o dia em que ele colocou uma arma na minha cabeça e disparou várias vezes. A sorte é que eu havia retirado, escondida, as balas do revolver”, revela.

Abalada com a noite de terror, a jovem esperou a madrugada e voltou para a casa dos pais com a filha de dois anos e um filho de seis meses. Ela sabia que precisava de muita garra para tomar conta da família sozinha. Por isso, resolveu viajar para São Paulo em busca de melhores oportunidades.

“Fui para São Paulo sozinha. Após dois anos, voltei ao Recife para buscar minha filha”, diz. A vida na capital paulista não era fácil. Edilene passava fome e procurava as feiras livres para catar alimentos para comer. As dificuldades obrigaram a mulher a retornar ao Recife.

Com a filha, que é casada e está concluindo o curso superior de Administração, Edilene aprendeu uma grande lição. “Ela sempre me diz que a única maneira de vencer na vida é através da educação”, conta. O exemplo foi seguido pela mãe, que não perdeu tempo em se inscrever no Mulheres Mil assim que tomou conhecimento do projeto. “Foi a primeira oportunidade que surgiu para voltar a uma sala de aula”, diz.

Gil Aciolly – Assessoria de imprensa do IFPE
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