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Tiveram início nesta semana as aulas do Mulheres Mil no Rio Grande do Norte. Executado pelo Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), no Estado o programa funcionará com o projeto Casa da Tilápia, atendendo trabalhadoras rurais, moradoras de cinco comunidades rurais: Canudos, no município de Ceará-Mirim; Aracati, em Touros; Bebida Velha, em Pureza; Modelo I e Modelo II, em João Câmara.

As aulas inaugurais em Canudos e Bebida Velha aconteceram no dia 21 de julho, no dia seguinte foi a vez de Aracati. Em Modelo I e Modelo II, as aulas inaugurais ficaram marcadas para o dia 4 de agosto, em virtude da dificuldade de acesso a essas localidades, castigadas pelas fortes chuvas que caíram nos últimos dias na região.

Solenidades

Na agrovila de Canudos, a aula inaugural foi concorrida. Além das alunas, professores e equipe técnica do IFRN e FUNCERN, estiveram presentes representantes da prefeitura de Ceará-Mirim, Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), UFRN, Banco do Brasil e da ONG ARCO.

Livânia Frizon, que coordena a ONG, ressaltou que o Mulheres Mil traz um tempo de mudança e que as alunas devem aproveitar essa oportunidade. Essa também foi a fala de Hugo Manso, delegado regional do MDA no RN: “vocês, agora, são alunas de uma das mais importantes instituições de ensino do país”, afirmou.

Meiriane Barata, representante do Banco do Brasil, antecipou para as mulheres os tipos de financiamento que o banco oferece para trabalhadores rurais e se dispôs a apoiar o projeto. A professora do IFRN, Leci Reis, e a consultora da FUNCERN, Wagna Dantas, que serão as coordenadoras do Mulheres Mil em Canudos, chamaram a atenção das alunas para que acreditem no projeto, se empenhando nos estudos, cumprindo horários e sendo assíduas. “Sabemos das dificuldades, mas vocês não podem desistir”, alertou Leci.

O alerta também foi dado durante a aula inaugural na comunidade de Bebida Velha, no município de Pureza, que contou com a presença da prefeita Soraya Santana, cuja fala apontou para a importância da mulher no desenvolvimento familiar.

Já em Aracati, comunidade localizada na cidade de Touros, a aula inaugural teve um momento especial, com a apresentação da Bandeirinha, dança popular típica do Nordeste que existe há 100 anos, mas tem desaparecido nas comunidades pela falta de interesse dos jovens. A dança foi executada por 16 senhoras com idades entre 50 e 70 anos, que encantaram os presentes, entre eles o pró-reitor de Interação com a Sociedade do IFRN, prof. Wyllys Farkatt. Ele afirmou que a Instituição tem o prazer de receber aquelas mulheres como alunas e desejou sucesso na capacitação. Esse também foi o desejo da secretária de Educação do município, Ivanise Barbosa, que reafirmou o compromisso da prefeitura em apoiar o projeto no que for preciso.

Durante as aulas inaugurais, as alunas receberam um kit do projeto Casa da Tilápia, contendo material escolar e uma camiseta, que servirá como fardamento. Agora elas estão regularmente matriculadas no IFRN e receberão toda a assistência do Instituto.

Qualificação

Canudos, Bebida Velha, Aracati, Modelo I e Modelo II estão inseridas na região do Mato Grande, que tem se destacado economicamente como pólo de cultivo de tilápias. No solo arenoso da região, o projeto desenvolvido pela Universidade Federal do RN, em parceria com outras instituições públicas e entidades, como a ONG ARCO, tem beneficiado cerca de 500 famílias no Estado.

Hoje, apenas o couro da tilápia não é aproveitado. E é aí que entra o Mulheres Mil, que vai capacitar, até 2010, no trabalho de beneficiamento do couro do peixe, agregando valor à atividade já executada na região. Mas, essas cinco comunidades rurais atendidas pelo projeto no Estado sofrem com o ensino precário, escolas sem estrutura adequada e falta de professores. Por isso, o projeto, que está sendo executado em parceria com as prefeituras dos municípios em que as comunidades estão localizadas, possibilitará às participantes a oportunidade de ter uma qualificação e ainda aumentar a escolaridade, uma vez que, simultaneamente à formação profissional, as alunas vão poder concluir o Ensino Fundamental na modalidade de Educação de Jovens e Adultos/EJA.

Além de cursos de artesanato, utilizando couro da tilápia, as alunas terão aulas de português, matemática e cooperativismo. A equipe que trabalha no projeto é multidisciplinar e conta com professores, técnicos-administrativos, alunos-bolsistas e profissionais, como psicólogos e pedagogos, do IFRN.

Carmem Spinola – Assessoria de imprensa do IFRN
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